O Planeta dos Macacos: A Origem (The Rise Of The Planet Of The Apes – 2011)

Publicado: 22 de janeiro de 2012 em 2010's, Ação, Aventura, Drama, Ficção
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Acho que existem algumas condições para se escrever.

Você tem que estar com as ideias frescas naquilo sobre o que vai escrever. É preciso gostar do assunto. Melhor ainda se você estiver empolgado.

Hoje decidi dar um tempo pra mim, ainda que isto significasse perder algumas horas de sono e ter que acordar, possivelmente às 7 e meia da manhã, para cuidar do pimpolho (agora são três da madrugada do sábado para o domingo, dia 23 de janeiro de 2011, se é que você ainda não leu esta informação em algum canto desse blog).

Resolvi ter uma experiência nova no que diz respeito a assistir filmes. Aluguei meu primeiro filme na iTunes Store. A escolha e o pagamento foram rápidos. O que demorou mesmo foi o download do filme: duas horas! Mas isso não é culpa da loja. Culpa minha, que mesmo trabalhando que nem um condenado não consigo ter mais dinheiro para pagar uma internet decente (tenho apenas 2 megas). Além disso, descobri que o hardware do meu computador não é lá essas coisas. Ele promete muito, mas faz pouco. Contudo nada disso me tirou do meu propósito, e nem diminuiu a grandiosidade do momento.

Comprar na iTunes Store é uma das coisas mais gratificantes que existe.Por quê? Oras, se você não tem que ficar pesquisando em busca de torrents, não depende do número de seeds disponíveis para ter uma boa velocidade de download, não tem que caçar legendas e ainda ficar esperto pra não baixar um conteúdo indesejável, etc. etc. etc. e tal, então você tem uma experiência gratificante. Você paga mais ou menos 7 reais, manda o negócio descer pro seu computador e começa a assistir. Fácil assim.

E que filme escolhi para essa minha primeira empreitada? O Planeta dos Macacos: A Origem.

Cara, gosto de escrever de coisas que me agradam. Tem muita gente que gosta de ser crítico de cinema. Eu gosto de gostar de filmes. Não me importa escrever sobre algo que não gosto. Eu até tentei, uma ou duas vezes, escrever sobre algo que não gostei, pensando que, quem sabe, poderia prestar um favor para os demais alertando-os daquilo que é ruim. Primeiramente, quem sou eu para achar que o meu gosto é o que dita a regra? Que cada um assista aos filmes, e tenham eles mesmo suas conclusões, suas experiências. É aquela velha história: o que é ruim pra mim pode ser bom pro outro, e vice-versa. Quantas vezes neguinho veio falando pra mim que adorou um filme, e quando eu fui assistir, o filme era um lixo? E o contrário também ocorreu várias vezes: Hulk (Eric Bana), O Quarteto Fantástico, Tron: O Legado, a lista é extensa. Eu gostei, e teve maluquinho aí que, quando eu disse que gostei só faltou me crucificar.

Sendo assim tento, a cada dia, manter um compromisso comigo mesmo: só escrevo sobre o que eu gosto. De vez em quando rola uma vontade de sentar o pau em algo, de falar mal, mas eu tenho que me controlar e pensar: eu não sou um cineasta frustrado que mete o pau na obra dos outros. Eu sou livre para escrever do que gosto sem me preocupar com a audiência, afinal, não vivo disso (obviamente, se alguém quiser me doar uma grana, fique à vontade. Só me mandar um email e a gente troca uma ideia, rsrsrs).

E É por isso que escrevo hoje perdendo algumas horas do meu sono, até. Simplesmente achei o filme O Planeta dos Macacos: A Origem genial. Já havia assistido alguns featurettes sobre os efeitos especiais, sobre a história, sobre Andy Serkis e outras características do filme, e estava superempolgadão para assiti-lo. Lamento não ter ido ao cinema: o longa merecia ser visto na telona, mas não deu. Entretanto, o filme me empolgou tanto que eu assisti em uma telinha de 30 e poucas polegadas, sem home theater e achei o máximo!

PODE CONTER SPOILERS! Se você é dos frescos paga-paus que não podem ouvir falar sobre o filme que já fica todo dodóizinho, talvez não goste das cenas dos próximos parágrafos (desculpem-me amigos que são assim. É que acho isso mó frescura, de boa…).

O Planeta dos Macacos: A Origem é um daqueles filmes que prendem você desde a primeira cena. Desde que os macacos são perseguidos na selva, passando pela morte da mãe do Caesar, seus primeiros passos, até a hora em que ele foge para o parque florestal, tudo é fascinante. Há tempos que não me empolgava assim. Foi um ótimo trabalho do diretor Rupert Wyatt e equipe, que souberam orquestrar magistralmente cada cena de CG, e de James Francos, Freida Pinto, Brian Cox, Andy Serkis e todos os outros atores, que contracenaram tão bem com o fundo verde, e conseguiram passar com tanta profundidade a carga desse drama futurístico, e terem conseguido segurar a bola de uma franquia tão antiga e cultuada (coisa que Tim Burton – que eu curto pacas – não conseguiu fazer – ele tem que parar de querer reescrever histórias – , embora eu não tenha achado seu remake tão ruim assim…).

Pra quem conhece a série original, sabe que todos os elementos estão ali. Os chipanzés, gorilas, orangotangos, monobos, todas as espécies de símios (não macacos, rs) que compõem a trama original estão representadas entre os rebeldes de Caesar. Inclusive, a hierarquia dos símios do filme original, até onde me lembro, está representada ali também: o líder chipanzé, o orangotango inteligente, o gorila guarda-costas, o chipanzé “do mal”, todos estão representados de acordo com o ideal do original.

Pra quem não conhece a história do filme, o cientista Will Rodman (James Franco) desenvolve uma droga, o ALZ-112, aparentemente capaz de fazer com que o Alzheimer regrida em seres humanos. Esta droga é testada em uma chipanzé. No dia de reunir os investidores e apresentar a droga, a chipanzé se revolta aparentemente sem motivo, causando um inferno no laboratório e fazendo com que os planos comerciais do diretor do laboratório fosse por água abaixo. A chipanzé então é sacrificada, e descobre-se que ela estava violenta pois tinha um filhote. O filhote, em vez de ser sacrificado, foi levado por Rodman para casa. Lá, ele é apelidado de Caesar e desenvolve-se intelectualmente cada vez mais, mostrando aptidões nunca antes observadas em qualquer outro símio. Neste meio tempo, Rodman testa a droga em seu pai, com Alzheimer, e obtém resultados extraordinários. Porém a droga é rejeitada pelo corpo do pai de Rodman, a doença volta mais forte, e muito mais violenta. Em um de seus ataques de Alzheimer, o pai de Rodman entra no carro do vizinho. O vizinho fica puto e começa a agredir o velho. Caesar não gosta e ataca o vizinho, o que faz com que o chipanzé vá parar no centro de controle de zoonoses da cidade, onde passa a ser maltratado pelos criadores do local. Rodman tenta a todo custo soltar o chipanzé em vão. É a partir daí que Caesar começa a perder sua fé na humanidade, e tenta se libertar do centro, usando para isso, toda a sua inteligência.

Como disse, esse é um drama futurístico, mas como todo bom futuro projetado a partir dos anos 2000, este futuro não é pra daqui 1000 anos, nem mesmo 50. É sobre um futuro muito recente, e é isso que confere ao filme o toque de verossimilhança que nos prende do começo ao fim. ouvimos todos os dias falar sobre novas drogas milagrosas, remédios que podem retardar o envelhecimento, curar doenças antes incuráveis, fazer com que homens vivam mais. Todas estas substâncias estão cada vez mais comuns, e sabemos que todas elas são testadas em animais. Logo, não fica difícil para o filme encontrar um lugar onde possa se enraizar em nossas mentes e crescer fértil.

O Planeta Dos Macacos: A Origem é daqueles filmes que nos tira o fôlego. Que nos faz torcer por seres que nem fazem parte da nossa espécie, deixa-nos revoltados com o que somos e com o mal que podemos causar a nós e a outros aninais. É tenso, triste, alegre e nos dá uma lição, a de que o homem ainda vai se ferrar com essa mania de dominar os outros animais. Além disso, a trama também mostra que aquilo que nos fez chegar até aqui pode ser nosa ruína, que a inteligência que temos e cultivamos pode ser o estopim da nossa desgraça.

Em Tempo: pode ser que esteja falando merda, mas a trama é tão boa que nem precisava dos efeitos visuais…

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