Resident Evil: Recomeço (Resident Evil: Afterlife – 2010): Milla Jovovich, você não é Leeloo [com spoiler]

Publicado: 20 de setembro de 2010 em 2000's, Ação, Aventura, Ficção, Terror, Videogame
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Título em Portugal: Resident Evil: Ressurreição

ATENÇÃO: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS. Se você é daqueles que não gostam de saber de detalhes antes de assistir o filme, PARE POR AQUI, ou continue por sua conta e risco, pois a resenha a seguir contém trechos que podem revelar detalhes cruciais da história do filme. Caso deseje, LEIA A RESENHA DESTE LINK, LIVRE DE SPOILERS.

Não havia planejado ir para o cinema na sexta-feira, mas o Jones mais uma vez me convidou para uma sessão de última hora, e lá estava eu, indo para o Cine Marabá, histórica sala de cinema do Centro de São Paulo para assistir mais uma continuação da versão para a tela grande de Resident Evil, game que teve sua franquia iniciada em 1996 para o console Playstation, e que acabou virando filme em 2002, dirigido por Paul W. S. Andserson e estrelado por Milla Jovovich. Diferentemente do game, a série de filmes Resident Evil tem os gêneros ação e ficção, que não lembram quase nada o “terror de sobrevivência” que é marca registrada e ponto alto nos games.“Recomeço” continua a saga de Alice em busca de sobreviventes do contágio, e de remanescentes da Umbrella Corporation, a fim de impedir que eles continuem disseminando o vírus letal desenvolvido para criar armas biológicas – monstros superpoderosos, assim como Alice.

Os eventos do filme têm início logo após o fim de Resident Evil: A Extinção: Alice e suas clones invadem as instalações da Umbrella no Japão, de onde Albert Wesker controla todos os experimentos biológicos. Depois disso, Alice viaja até o Alaska e descobre que Arcadia não existe, e que todos que ali chegaram sumiram, não se sabe porque, inclusive seus companheiros em Resident Evil: A Extinção. Porém ela é atacada por Claire Redfield, que por algum motivo não a reconhece. Viajando para Los Angeles, ela encontra sobreviventes em um presídio abandonado, e também descobre que Arcadia não era um lugar, mas algo.

Como de costume, o roteiro de “Recomeço” é muito fraquinho. Anderson não se preocupa em justificar de onde seus personagens vieram, como eles foram parar onde estão e porque fazem o que fazem. O único personagem que tem sentido (dentro da trama do filme) é Alice. Os demais personagens giram em torno de sua áura e não precisam de história e nem de vida pregressa: eles simplesmente aparecem, interagem com a protagonista e somem. É o caso de Chris Redfield, que aparece sem mais nem menos como se fosse uma ameaça, aparentando ter algum poder escondido ou alguma força superior, mas que no fim não passa de mais um personagem secundário de ação. Albert Wesker se torna, de uma hora para outra (de um filme para outro) o arqui-inimigo de Alice, sem uma razão além do fato de ele ser um dos diretores da Umbrella Corporation.

Falando em Wesker, Shawn Roberts não convence em momento algum interpretando o personagem. O Wesker original tem uma personalidade muito forte, cheio de si, e que abusa do sarcasmo a todo momento. Roberts até tenta, mas não consegue passar na tela todo o cinismo e grandiosidade desse personagem. (Mas estamos falando de filme e não de games, né… infelizmente.)

Lá pelas tantas, o filme introduz um novo personagem: O Cara do Machado (The Axe Man). The Axe Man é um Executor (Executioner Maniji) tirado do jogo “Resident Evil 5”. O personagem vem arrastando seu machado descomunal pelas ruas destruídas de Los Angeles até o portão do presídio onde os sobreviventes, incluindo Alice, estão presos procurando uma forma de fugir para Arcadia. Ele arromba o portão, permitindo que os zumbis fora do local entrem. Jpa dentro do prédio, ele luta com Alice e Claire. Alice acaba matando-o com um tiro de rifle, carregado de moedas, na cabeça. O personagem aparece, luta e morre sem qualquer explicação. A impressão que dá é que ele foi colocado ali, como muitas outras situações, para justificar a filmagem em 3D (ele joga o machado contra a tela – cena muito bonita, de fato).

Aliás, se o roteiro, história e representações não convencem muito, o 3D aplicado no filme está muito bem feito. Diferente de muitos filmes convertidos para o formato, Resident Evil foi rodado usando as câmeras criadas por James Cameron e usadas em Avatar. Isso fez com que as cenas fossem realmente 3D, e não imagens 2D desenlaçadas para serem remontadas novamente com a ajuda dos óculos. Sendo assim, há diversas cenas de lutas e de ação em geral feitas exclusivamente para justificar o uso da tecnologia.

Ainda falando sobre a parte visual, Paul W. S. Anderson abusou (no mal sentido) do “efeito Matrix”. Toda hora Alice fica dando cambalhotas em câmera lenta, caindo em câmera lenta, desviando de balas em câmera lenta (como se já não bastasse ela interpretando tão mal que parecia estar em câmera lenta): totalmente dispensável na maioria das vezes.

Depois do fim do filme, com cerca de 30 segundos passados dos créditos, Jill Valentine é reintroduzida à trama, agora sob comando da Umbrella.

Com essas aparições e retomadas de personagens, parece que o intuito de Anderson é tentar trazer o fã dos jogos Resident Evil para o cinema. Talvez ele tenha se arrependido de ter se afastado tanto da história original e agora, de uma forma desesperada e totalmente forçada, tenta aproximar seu filme, totalmente inferior, ao jogo, que é um sucesso e um clássico há quase 15 anos.

E Milla Jovovich? O que falar dela? Sinceramente, nunca gostei de sua atuação. Inexpressiva como sempre, Jovovich talvez fique presa a Leeloo para o resto da vida. Ela ainda não se tocou que sua praia não é ação, que ela não é Leeloo, e que se ela fez sucesso em “O Quinto Elemento”, deve-se ao conjunto do filme, e não pelo seu trabalho.

Se você gosta de filmes de terror, Resident Evil: Recomeço não foi feito para você. Agora, se está a fim de desligar o cérebro e ter alguns minutos de entretenimento cosmético, vá para o cinema sem medo. Só não vá assistir filmes 3D no cine Marabá (vou falar porque ainda esta semana, aguardem).

Trailer:

O Executor:

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comentários
  1. Jones Alves disse:

    Achei algumas inconsistências, começando pela Alice, que esquiva das balas de forma MATRIXial, mas com a agilidade de um Phanton e aparece do nada, beeerrrr, na verdade são os clones de Alice que nem a Umbrela conseguiu fazer, apenas ela consegue.

    Logo após ela recebe o soro antivirus, que no decorrer do filme vemos que não tem efeito algum.

    O Chris que é um personagem de renome, me desculpe os demais, mas eu acho ele e Jill mais importante que qualquer outro na franquia dos Games, é apenas um otário fazendo peso no elenco.

    Wesker, sentia uma coisa legal na imponência do personagem, mas o ator me fez o favor de tirar… As unicas cenas onde ele parece mesmo o Wesker é nas esquivas das balas que lembra muito o Resident Evil 5.

    A Jill aparece com a maquininha que a deixa sob o comando da Umbrella, cena de uns 15 segundos, ao que tudo indica, se ainda houver Jovolvich não teremos Sheva e o Chris vai morrer, pois só há lugar pra um ator principal, e sim é principal porque tudo gira em torno dela, apenas cenas para ela.

    O Execultor que era o bicho de se meter medo e fazer vc não largar os analógicos do controle pra fugir, é apenas um cara com um super machado que morre com alguns poucos tiros e quase não é utilizado. Afinal de onde ele veio, os “prisioneiros” estavam encurralados a muito tempo, e nada dele chegar, acho que estava esperando libertarem o Chris.

    O Filme falha muito, mas seus efeitos e alguns poucos e interessantes sustos nos levam a gostar da ação do filme, que não tem um pingo de terror com seus zumbis do thriler do Michael Jackson.

    Recebe um 8 por ação, 2 como menção à franquia (personagens etc), 0 pelo objetivo da franquia (suspense, sobrevivência e terror).

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