Os Mercenários – The Expendables (2010): totalmente descartável…

Publicado: 9 de setembro de 2010 em 2000's, Ação, Aventura
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ATENÇÃO: não costumo escrever posts grandes, mas este é maior do que o de costume.

Que que o Mickey Rourke tá procurando????

Relutei.

Desde que o filme do vovô Rambo Stallone estreou nas salas de todo o Brasil, decidi que não assistiria. Tá bom: admito que fui atingido pela onda patriótica-ufanista contra Stallone, que saiu soltando despaupérios da nossa pátria-amada-idolatrada-salve-salve. Fiquei mais ferrado, porém, com o fato de um ídolo de infância estar (literalmente) queimando o próprio filme por bobeira.

Mas, vamos lá. Depois de muito evitar, cedi ao convite do Sr. Jones, convenci minha esposa a ir comigo (eu mereço queimar no inferno num tacho de óleo quente por isso) e fui para o cinema ver o tal “Os Mercenários”. Parecia que os acontecimentos da noite estavam conspirando contra mim: fui comprar a meia-entrada e não achei a carteirinha da faculdade; fui  comprar cachorro-quente e não tinha salsicha, que demoraria meia-hora pra ficar pronta (o filme começava em cinco minutos): a menina do balcão ainda disse que se voltássemos para pegar o lanche depois, teríamos que pegar fila como todo mundo; fui entrar e a “recolhedora de tickets” do Cinemark disse que a sala não estava aberta ainda. Ao liberar a sala, faltando 2 minutos pra começar o filme, descobri que ela já estava lotada. Depois desses revéses a projeção, enfim, teve início.

Olha, a sessão estava prometendo ser ruim. Os trailers estavam ruins, o chão estava mais grudento que o de costume, pois era a última sessão da sala e todo refrigerante possível já tinha caído naquele piso (o povo parece que oferece refrigerante “pro santo” quando vai ao Cinemark), os atendentes estavam um porre. Enfim, eu não deveria ter ido ao cinema ontem.

Mas voltemos ao filme que é o que (não) interessa.Dirigido, escrito e estrelado por Sylvester Stallone, Os Mercenários é o que pode-se chamar de um filme da terceira idade. Cheio de estrelas (de)cadentes sessentões (e outros cinquentões e quarentões – não, não: nenhum trintão pra contar história), o longa conta a história de um grupo de ex-soldados e desajustados hardline contratados pela CIA para acabar com o domínio de um ex-agente da CIA que, aliado a um ditador latino americano, comanda o narcotráfico em um país da hispano-latino-americano chamado Vilena (que, na verdade é Mangaratiba-RJ).

Aliás, já que toquei no assunto Rio de Janeiro, vale lembrar que quando entrei na sala, disse para minha esposa que eu apostava que veria cartazes em português e outros coisas assim, e foi dito e feito: no boteco onde encontram-se com Sandra, a guia que os levaria até o palácio do ditador (que mais tarde iria se revelar a filha do próprio ditador, vivida pela “talentosa” Giselle Itié (clique aqui e veja a lista de derrotas “globais” na carreira dessa menina), você pode observar um cartaz de cerveja Itaipava colado na geladeira e um cartaz da Brahma mais acima, perto da porta por onde saem do bar. Logo mais era possível ver a placa brasileira do caninhãozinho em que foram levados até a “selva” (uma mata atrás de alguma pedra do Rio de Janeiro).

Voltando à história do filme, Barney Ross (Stallone), líder do grupo de cães de aluguel formado por (preste atenção no nome dos personagens – “melhor” impossível) Lee Christmas (Jason Statham), Ying Yang (Jet Li), Gunner Jensen (Dolph Lundgren), Toll Road (Randy Couture) e Hale Caesar (Terry Crews), recebe uma proposta de Mr. Church (Bruce Willis) para acabar com os homens maus do outro lado do mundo. Ross decide ir “até ali” com Christmas para ver qual é a do país. Lá ele descobre uma população reprimida e maltratada pelos terroristas traficantes donos de cartéis que, sob influência do Satã Ocidental, vendem drogas pro próprio Satã Ocidental (essa, a única parte verdadeira do filme, rs). Apaixonado pela garotinha que agora é refém dos homens maus, Ross volta, reúne o time e parte em missão-vingança em busca do safado latino que fez tudo isso (e do seu amiguinho gringo). Daí pra frente você já sabe o que rola: tiro, porrada, pernas arrancadas, tripas voando, sangue jorrando, o de sempre.

Todo mundo sabe que eu gosto de coisa tosca. Sou chegado em filmes de ação e todas essas coisas que remetem à minha infância regada a Sessão da Tarde, Rambo, soldados universais e quejandos. Mas o que será que fez com que eu achasse este o pior filme dos últimos cinco anos? Sinceramente, não sei. Talvez o exagero de clichês de filme de ação, a cara do Stallone, o Dolph Lundgren com cara de bebum, o Jet Li apanhando do Dolph Lundgren DUAS VEZES (isso mesmo, Jet Li apanhando: é o fim do mundo…), o Schwarzenegger que tá com um corpinho de cabide (pelanca e osso, com uma barriga no meio), ou um conjunto de tudo isso, ou não foi nada disso. Eu não sei o que foi, mas eu só sei que, não fosse a companhia no cinema, eu teria saído no meio do filme.

Contudo, não era exatamente tudo que estava perdido… EU PERDERIA MAIS AINDA. Perderia ainda minha paciência total e todo o respeito que ainda tinha por Stallone e Mickey Rourke. Aliás, ainda não falei deste cidadão, né? Pois bem. Rourke encarna “Tool”, um ex-soldado mothafucka que lutou em todas as guerras desde a metade do século passado e que agora se diverte com prostitutas, enchendo a cara, atirando facas na parede e tatuando o Stallone (que, aliás, pelo tanto de pelanca, poderia ficar na cadeira de um tatuador por dias ininterruptos). O momento mais deplorável no filme para mim foi quando Tool começa a falar do seu passado para Barney, e os dois, no pior estilo “os brutos também amam”, começam a chorar “como homens” (voz embargada, olhos rasos e vermelhos, com soluços curtos). Isso pra mim foi a coisa mais ridícula que poderia ter visto de dois peões cujas carreiras foram marcadas por papéis de machos chorando como duas mocinhas por causa de uma garota de 25 anos… Me poupe.

Resumindo, o filme é um fiasco do começo ao fim. Fraco de roteiro, fraco de direção, fraco de efeitos especiais e fraco de porrada (afinal, a arte marcial mais usada no filme é o Jiu Jitsu, que leva marmanjos a ficarem se agarrando e se jogando uns nos outros – supersexy para os amigos gays de plantão, rs).

NO fim, Stallone fez um filmezinho ordinário (no pior sentido da palavra) e corre o risco de, em vez de ser lembrado como o Grande Rocky Balboa, ficar na mente de todo mundo como o pelancudo Barney Ross. Ele devia ter aprendido com o mestre Chuck (louvado-seja) Norris, que não se mete nessas presepadas.

Desde “A Vila”, não vejo tanta gente saindo com cara de bunda de uma sala de cinema…

Se você já assistiu, deixe um comentário aqui e divida sua tristeza comigo. Se não assistiu ainda, vai aí um conselho de amigo: NÃO ASSISTA! Se for assistir, baixe um cam, mesmo, pois a qualidade da imagem não diminuirá em nada a qualidade do filme (pode até melhorar, afinal, você não terá que ver a cara enrugada do Stallone e do Mickey Rourke, com aquele dente de ouro estranho bagarai), além do que, você guarda seu dinheiro pra gastar com um filme de ação que realmente presta (A Origem, por exemplo).

Melhor cena (???)

Ainda bem que o pai do Chris veio salvar o dia.

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comentários
  1. Jones Alves disse:

    Infelizmente pra piorar assistimos dublado, e aquele filme onde todos os dubladores tem língua presa ou carne esponjosa. Inda meus tênis grudam no chão.

    Detalhe intrigante, o pessoal saiu do cinema que nem queriam mais ver se tinha créditos.

    Os atores mal atuaram no filme, foram cenas individuais de 30 segundos, os que aparecem como destaque ao meu ver era Steve Austin (Ator de Os condenados e Hitman) que atuou como um homem invulnerável (achei que tinha visto o Juggernaut dos X-man), assim como o Pai do Chris (Terry) que atirava nas pessoas com balas (mini Orgivas) e seus corpos a serem atingidos dividiam ao meio como no filme do exterminador do futuro. que falando nisso (houve uma atuação do Swazenegger? porque aqueles 5 segundos de fama com a finalização dizendo que ele queria ser presidente que não sei se foi uma péssima piada ao cargo político).

    Bom, prefiro não comentar nada além disso porque minha indignação de ter pago meia pra ver esse lixo de filme me fará escrever uma resenha maior que a do Amauri só de ofensas.

  2. @carneiro_rio disse:

    Nada a acrescentar.
    Apenas concordar que o filme é realmente uma MERDA!!
    OBS: não fui ao cinema,baixei.

  3. gabriel disse:

    quem le o que vc escreveu pode pensar “esse cara nunca vai ficar velho?” e falar que o stallone ta cheio de pelhanca é coisa de cego, o cara ta muito bem, garanto que melhor do que muita gente de 20 e poucos anos, falar do enredo tudo bem, isso eu não contesto, mas os atores são excelentes, o jason ta em plena forma e com varios filmes excelentes, achei excelente as cenas com o gary daniels, o stallone é um grande idolo e sempre será, podem falar o que quiserem.

    • Amauri Alves disse:

      E aí, Gabriel, blzinha?

      Realmente, concordo com você que o Stallone tá melhor do que muito moleque por aí. Também concordo que muitos atores estavam bem, como o caso do Jason (Stetham). Porém, acho que o filme deixou a desejar perto do que se esperava. Também acho que o Stallone é um puta ator de ação, mas ele tentou fazer um filme de clichês e conseguiu “errar a mão” na minha opinião. Espero que ele acerte da próxima vez. Ontem mesmo estava assistindo Rocky 3, e pensei “realmente, um cara que já fez tanto pro cinema de ação/violência não merece ser menos prezado”. Posso ter sido meio duro com o vovô, mas o garanhão italiano podia ter sido melhor… Ah, valeu por comentar! 🙂

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